A QUEDA DO FALSO MESSIAS Regina Borges
- reginaceliborges40
- 8 de fev.
- 5 min de leitura

Já diz a Bíblia Sagrada
Na mensagem de Mateus
Falsos profetas virão
Usando o nome de Deus
Por dentro lobos vorazes
Com aparência de Romeus
Assim quis a nossa sina
De cruzar com Satanás
De capitão mequetrefe
Poucos diziam capaz
Um dia subiu a rampa
Acabando nossa paz.
Tinha fama de esperto
Por grana tudo fazia
Bagunceiro e desleal
Ao Ustra ele aplaudia
Quanto mais a crueldade
Mais soberba a tirania.
Com a trama da explosão
Foi julgado como réu
Porém foi absolvido
Mas sem carregar troféu
Fim da vida militar
Daquele homem cruel.
Quis a vida pregar peça
No meio civil ingressou
Eleito pra vereança
Sua carreira começou
Apoiando militares
A deputado chegou.
Figurava o baixo clero
Sem nenhuma projeção
Tinha falas inflamadas
Gostava de confusão
E por vinte e sete anos
Nunca negou ser vilão.
Contra o trabalhador
Sempre foi sua posição
Direitos, pra ele, são nada
Não passam de ilusão
O melhor é ter trabalho
Na forma de escravidão.
Sob pretexto do direito
Liberdade de expressão
Ofensa e desacato
Insulto e xingação
Racismo, homofobia
Pra ele era opinião.
Toda aquela arrogância
Aos poucos foi atraindo,
Pois Narciso ama espelho
Reflexo de quem vem vindo
Logo filas de adeptos
A ele estava seguindo.
Também encontrou apoio
Surfou na anticorrupção
Aliou-se à Lava Jato
Juiz Moro deu a mão
Com um processo forjado
Mandou Lula pra prisão.
Com o lema da família
Seu projeto ganhou fama
Ainda que mulherengo
Valia sua dinheirama
Mulher jovem e bonita
Decorava sua cama.
Um passado bem obscuro
Ligado a miliciano
Dinheiro vivo rodando
Se fazia cotidiano
Mas bastava gritar Deus
Pra se dizer soberano.
Pra ganhar os evangélicos
Batizou-se no Jordão
Fetiche ideológico
Sem a mínima razão
Misturou fé com política
Numa grande confusão.
Nasceu o político mito
Que prometeu salvação
Sob a túnica de Deus
Veriam nova nação
Espada de justiceiro
Em defesa do cristão.
Leis seriam mais severas
Bandido seria morto
Conservação dos costumes
À elite mais conforto
E tudo privatizado!
Esse era seu plano torto.
Com sequestro da bandeira
Um racha logo se fez
O país se dividiu
Não havia um talvez
Era cidadão de bem
Ou comunista chinês.
Na guerra ideológica
Perdeu-se toda razão
A formiga pelo ódio
Esqueceu-se da lição
Votou no inseticida
E desgraçou-se a nação.
Satanás, pai da mentira,
Se disfarçou de gestor
Enganando os fanáticos
Jurando ser salvador
E como o diabo gosta
Apostou no seu valor.
Era dois mil e dezoito
Do pleito foi vencedor
“Brasil acima de tudo”
Esmaguem o perdedor
Assim começou a gestão
Com marca de opressor.
Sob o verde-amarelo
A mentira virou tela
O ódio alimentado
Disseminado na favela
O país passou a ver
Uma vida paralela.
No campo ou na cidade
Grande desinformação
O desmonte era feito
Sob aplausos do irmão
Pobre na fila do osso,
Filho comprando mansão.
A verdade com vergonha
A mentira descarada
As florestas destruídas
A saúde era atacada
A Educação sem rumo
Fome naturalizada.
Machista autoritário
Recorria às covardias
Pelas redes sociais
Atacava as minorias
Do gabinete do ódio
Inflava as vilanias.
Bancava de valentão
Por detrás um grande frouxo
Gostava da mordomia
Pro trabalho era coxo
Pensava em ser um rei
Não passava de um mocho.
Pra completar o castigo
Chegou um vírus mortal
Corona era seu nome
Um pandemônio global
Por mais dinheiro tivesse
Ninguém fugiu desse mal.
Depois da primeira vítima
O medo só aumentava
Fronteiras foram fechadas
Inda assim ele passava
Feito praga do Egito
Todo dia avançava.
A ciência reagiu
Com toda sua esperteza
Avançavam nas vacinas
Lutavam com firmeza
Com os países unidos
A cura era certeza.
Mas num golpe de azar
Estava o Cão no poder
Negou-se acreditar
As normas obedecer
Chamava de gripezinha
E coveiro não ia ser.
Assim não comprou vacina
Desprezava a quarentena
Salvar a economia
O resto era só cena
Gritava do seu jet-ski
Dos mortos não tinha pena.
Naquele horror tamanho
O Supremo determinou
Com as medidas tomadas
A vacina então chegou
Com uma dose de vida
O Brasil se levantou,
No peito guardou a dor
Da perda de um parente
Amigo ou conhecido
Não importa a patente
Jamais será esquecido
O desdém do presidente.
Ele assim continuou
Jogando o país no lixo
Uma vergonha após a outra
Papelão de governicho
Parecia um palerma
Com destino de espicho.
Muitas joias recebeu
Se alinhando com fascista
Do centrão choveu apoio
À direita extremista
Pensavam eles ter calado
A potência progressista.
A voz da democracia
Foi então alardeada
Corria risco de morte
Senão fosse bem cuidada
E das ruas foi-se ouvido
“Lutaremos por ti, amada”
O Cão já ressabiado
Com a alta reprovação
Começou a pôr em dúvidas
O sistema da eleição
Gritava que se perdesse
Seria enrolação.
Não adiantaram os gritos
Nem a máquina na mão
O povo já decidido
Derrubou o falastrão
Foi Luiz Inácio Lula
Quem venceu a eleição.
E quando todos pensavam
Que a paz então viria
Lá vem o Cão novamente
Fazendo marmotaria
Conclamou os seus asseclas
O poder não deixaria.
Política tragicômica
Quiçá pura indolência
Uma legião de fanáticos
Em cega obediência
A fé como idolatria
Sem disfarce nem tenência.
Na mistura perigosa
No escuro da razão
Celular para marciano
Pedidos de intervenção
Continência para pneu
Ritos e perseguição.
Com ataques ao Supremo
Atiçou guerra civil
Desavença extremada
Como aqui nunca se viu
Apelou aos inflamados
Tacar fogo no Brasil.
E no oito de janeiro
De dois mil e vinte e três
Patriotas de araque
Mostraram mais uma vez
Com quantos mugidos fazem
O grau da estupidez.
Democracia robusta
Força institucional
Bandidos foram julgados
Em um processo legal
Que mais nenhum se atreva
Contra a ordem nacional.
Tinhoso também foi preso
De leão virou ratinho
Sumiu o porte de atleta
Acabou o cercadinho
Mas ‘inda tem besta indo
Na lábia do tinhosinho.
E pela primeira vez
Estrelados como réu
Militares traiçoeiros
Na taça serviam fel
Anistia Nunca Mais
Esse bando de infiel.
Estamos quase no fim
Mas quero ainda contar
Que o Jair mentiroso
Agora só dá pra chorar
Está preso na Papuda
Dedo na boca a chupar.
Que todo mundo aprenda
O valor de sua nação
Defender soberania
É um dever cidadão
E nenhum judas messias
Merece nosso perdão.
Antes de me despedir
Quero aqui ressalvar
A coragem do Nordeste
Que sempre soube votar
Salvou a democracia
Pelo voto popular.
A consciência política
É a nossa garantia
De construir um país
Com plena democracia
Nunca esqueça que o voto
É a nossa grande valia.
Jatobá, 23 de janeiro de 2026



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