PONTE DOM PEDRO II — CARTÃO-POSTAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO
- reginaceliborges40
- 10 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: 13 de mar.

Projetada e fabricada na França pela Compagnie des Établissements Eiffel, uma das mais renomadas empresas especializadas em estruturas metálicas do século XIX, a Ponte Dom Pedro II carrega em sua treliça a mesma tradição técnica que marca obras icônicas como a Torre Eiffel, a Ponte Maria Pia e a estrutura interna da Estátua da Liberdade.
Nomeada em homenagem ao último imperador do Brasil, Dom Pedro II, a designação não se deve apenas à reverência à sua memória, mas também à relevância histórica de sua passagem pelas cachoeiras de Paulo Afonso, em 1859. Durante a sua viagem pelo rio São Francisco, o imperador demonstrou profundo interesse pelas potencialidades econômicas da região, incentivando iniciativas voltadas ao seu desenvolvimento — entre elas, a implantação da Estrada de Ferro Paulo Afonso (1878–1964), fundamental para a integração regional.
A ponte Dom Pedro II, consagrada pelo povo simplesmente como Ponte Metálica, foi erguida pelas mãos de nordestinos, inclusive filhos de cangaceiros — como nos lembra o pesquisador João de Sousa Lima, ainda alguns técnicos estrangeiros. A sua estrutura possui um vão central de 240m, largura de 10m e altura de 84m e ergue-se como um dos mais belos cartões-postais do vale do rio São Francisco, interligando os estados de Alagoas (Delmiro Gouveia) e Bahia (Paulo Afonso).
Sua implementação integrou as políticas nacionais de desenvolvimento da região do São Francisco no contexto da expansão rodoviária, contribuindo para a ligação entre o Norte e o Sul do país e oferecendo suporte logístico às usinas hidrelétricas de Paulo Afonso, implantadas a partir do final da década de 1940.
Entretanto, os conflitos políticos e econômicos que atravessavam a República retardaram sua montagem por mais de uma década. O projeto foi solicitado no governo de Eurico Gaspar Dutra, impulsionado por Getúlio Vargas e finalmente executado durante a gestão de Juscelino Kubitschek, sendo concluída a sua montagem em 1958 e inaugurado em 21 de abril de 1960, sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) e execução da empresa SOBEMEC.
Desde então, muita água correu entre esses paredões de pedra, testemunhando profundas transformações sociais, políticas, culturais e econômicas na região. Com a construção das usinas hidrelétricas, o fluxo populacional intensificou-se, atraindo milhares de trabalhadores de diferentes partes do Nordeste e — até do país, formando uma nova paisagem humana, marcada por diferentes sotaques, costumes e modos de vida.
Desse modo, as dinâmicas urbanas e as economias locais foram se redefinindo, reorganizando as geografias regionais com o surgimento de novos bairros e cidades que passaram a conviver às margens do Velho Chico.
Assim, entre o simbolismo imperial e a modernização republicana, a Ponte Dom Pedro II mantem-se como elo físico e histórico no território sertanejo-nordestino — moldado pela água, pelo metal e pela memória.
Regina Borges
Referências
FOLHA SERTANEJA. A Ponte Metálica Dom Pedro II – Paulo Afonso – BA. Disponível em: https://www.folhasertaneja.com.br/noticias/colunistas/857906/1. Acesso em: 20 dez. 2025.
Cartas e fotografias do acervo pessoal do engenheiro George Oprea, filho do engenheiro Constantino Oprea, montador da Ponte D. Pedro II. Documentos recebidos por meio da interação de Flávio José Ataide da Motta e Luiz Fernando Motta Nascimento (engenheiros da antiga CHESF) e utilizados também na matéria da Folha Sertaneja, edição 6101, de 13 jun. 2025. Disponível em: https://www.folhasertaneja.com.br/noticias/colunistas/857906/1.






























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